O som não é percebido da mesma maneira por todas as pessoas. Uma mesma música, uma voz ou determinada frequência pode despertar tranquilidade em alguém, enquanto provoca desconforto, nostalgia ou até inquietação em outra pessoa. Isso acontece porque ouvir não é apenas um processo físico: também envolve memória, emoções, experiências e associações pessoais.
Uma melodia pode nos transportar para um momento específico da vida. Uma voz pode transmitir segurança ou despertar lembranças. O som da chuva pode representar acolhimento para alguns e melancolia para outros. Nossa história participa silenciosamente da maneira como interpretamos aquilo que escutamos.
Por isso, utilizar sons em um contexto terapêutico exige sensibilidade. Não existe uma música universalmente relaxante ou um som que produza obrigatoriamente determinada resposta. O que importa é observar a experiência individual e perceber como o corpo e as emoções respondem.
O silêncio também faz parte dessa experiência. Para algumas pessoas, ele traz descanso e espaço interior; para outras, pode inicialmente revelar pensamentos e emoções que estavam sendo abafados pelo excesso de estímulos.
Escutar com atenção é, portanto, uma forma de ampliar a consciência. Quando deixamos de ouvir apenas com os ouvidos e passamos a perceber nossas reações, descobrimos que cada som também pode revelar algo sobre nós.
O verdadeiro valor de uma experiência sonora não está somente no som produzido, mas na maneira singular como ele é recebido, sentido e significado por quem escuta.
Texto: Leilane Castro | Imagem: Ser IN