Mateus era um buscador. Passou anos tentando encontrar Deus. Leu livros sagrados, viajou para montanhas distantes, sentou-se em silêncio com monges e rezou em dezenas de templos. Mas, dentro de si, ainda sentia um vazio.
— Onde está Deus? — perguntava todas as noites antes de dormir. — Por que Ele não me responde?
Certo dia, sentou-se num banco de praça, cansado. A fé já não ardia como antes. Ao seu lado, uma senhora alimentava pombos com um sorriso sereno. Uma criança caiu da bicicleta, chorou e, em segundos, foi amparada por um desconhecido. Um casal idoso caminhava de mãos dadas, em silêncio. Um rapaz, com fones de ouvido, dançava sem se importar com quem olhava.
Mateus observava tudo como se fosse a primeira vez. E, então, algo dentro dele se quebrou — ou talvez tenha se aberto. Uma lágrima escorreu. Sentiu o vento tocar seu rosto e, nesse toque, uma voz suave, sem palavras, parecia dizer:
— “Eu estou aqui.”
Não vinda de fora, nem de cima. Mas de dentro. Daquela mulher simples que sorria. Da criança e do homem que a ajudava. Do amor silencioso entre o casal. Do jovem que dançava, livre. Do vento que acariciava sua alma cansada.
Naquele momento, Mateus não precisou mais procurar. Deus nunca esteve ausente. Era ele quem não conseguia ver.
Levantou-se. O mundo continuava o mesmo, mas tudo estava diferente. Porque agora ele via: Deus estava em tudo e em todos — inclusive nele.
Às vezes buscamos Deus longe, alto, difícil… quando Ele sempre esteve no agora, no outro, na vida, e no centro silencioso do nosso ser. Basta abrir os olhos do coração e Ele se revela — não como algo separado, mas como o Tudo que é.
Leilane Castro